26.03.2014

É Preciso Viver o Luto, Seja Ele Qual For

Quando a gente perde alguém que ama, quando a gente termina uma história, quando a gente tem perdas na vida, é normal que a gente fique triste, perdido, sem rumo, certo?

É certo sim, e é humano. O que não é certo, ao menos pra mim, é não respeitar a própria dor, a própria tristeza, o próprio luto.

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A perda, sobretudo de alguém que a gente ama, é dolorosa demais, é a mais profunda que existe,  porque o que existe ali é a “dor do nunca mais”… Nunca mais o amor que aquecia a alma, o olhar tão cúmplice, a mão daquele que nos compreendia, as risadas sem fim, o mundo de carinho, o abraço que protegia… Nunca mais a presença, nunca mais a certeza de que você não está só… Nunca, nunca mais…

E você acha mesmo que dá pra passar pro cima disso? Não, não dá…. E não tem nada demais ficar triste. Faz parte. E se você está triste, viva a sua tristeza, sinta ela até a última gota, no seu tempo, do seu jeito, porque só assim, vivendo a própria dor, é que a gente supera, mas supera de verdade.

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Só que essa neura pela felicidade constante, como se fôssemos máquinas ou seres supra humanos, nos impele cada vez mais a “passar por cima”. Terminou uma  relação? “Bora pra balada pegar todas/todos, beber todas e “passar recibo”! Perdeu alguém que ama? Bora sair pra “esquecer”!

Oi? Desde quando fazer qualquer uma dessas coisas faz a dor passar? Quem disse que esquecer é superar? E quem disse que esquece? Não esquece e não adianta fugir, porque de noite, no encontro com o travesseiro, todas as dores voltam, e se a gente tenta passar por cima, elas voltam muito maiores, rasgando tudo por dentro.

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Não existe a possibilidade de seguir em frente, de virar a página,  sem “viver” o luto até a última gota. É preciso respeitar o seu luto, a sua dor, a sua tristeza e o seu tempo. E vai doer mesmo, e muito. Vai dilacerar tudo por dentro, e em alguns momentos a dor é tão grande que falta o ar, mas se é o que você está sentindo, tem que sentir, porque não tem como ultrapassar qualquer coisa nessa vida se a gente não enfrenta essa coisa. É  impossível.

Nós somos pessoas, nós somos humanos, não somos máquinas. Nós sentimos mesmo, e se sentimos, temos que viver isso, oras! Se a tristeza vir, deixe que ela venha, coloque ela pra fora, sinta toda a sua tristeza porque, existindo, ela tem que ser vivida, e somente quando vivida ela pode ser superada.

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Se pulamos etapas, se não respeitamos os nossos sentimentos e os nossos momentos, se reprimimos a nossa dor, seja de que origem for, nunca conseguiremos ir adiante e ficaremos presos por toda a vida… É isso o que você quer?

Beijos

Ju

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23 comentários
  1. Shirlei Brandão  26/03/2014 - 21h20

    Ju, parabéns pelo texto!!! Sempre tive essa ideia de que precisamos viver nossas tristezas até o fim. Que só chegando ao fundo do poço podemos retornar a luz. Amei!! Bjs!!

    • Ju Lopes  27/03/2014 - 13h28

      Minha flor, obrigada! :) Mas é, senão a gente não supera nunca, né? Beijos

      • Rozana Santos Infante  01/07/2015 - 09h10

        Parabéns Ju! Mesmo com sua dor você consegue passar forças para outras pessoas, isso chama-se doação, minha admiração por você!!

        Bj

  2. Verena  26/03/2014 - 21h35

    Palavras sábias. O mundo hoje prega a felicidade a qualquer custo, as pessoas acabam esquecendo de que são simples seres humanos com suas fragilidades e limitações. Vivemos numa cultura de exibicionismo de uma felicidade falsa, uma vida perfeita que é mais falsa ainda. Na vida existem tempos bons e maus e os dois são proveitosos para o crescimento e aprendizado. A dor também nos faz crescer. Belo texto Ju.

  3. Lusaches  26/03/2014 - 22h29

    Mas será que nessa sociedade temos tempo pra isso? O luto não é respeitado no trabalho e em outros setores desta sociedade atual tão rápida, tão corrida…. É difícil viver isto e ainda continuar com a rotina.
    Sem dúvida doi muito e pra mim não passa, tende a ficar mais suportável com o tempo. Mas ainda sim um suportável difícil.

    • Ju Lopes  27/03/2014 - 13h29

      Lu, pra isso tem que ter, senão a gente segue “capenga”… E isso é um problema, porque as pessoas não entendem, as empresas não entendem… É muito, muito difícil!

  4. Daniele Guedes  27/03/2014 - 08h31

    Exatamente!!!
    Sem por nem tirar …. grande bj Ju

  5. Cris Ulerich  27/03/2014 - 13h33

    Se eu não soubesse que vc é Advogada diria que era Psicóloga. É isso mesmo Ju, texto muito bem escrito que traduz em palavras fáceis o que na Psicologia chamamos de elaboração do luto. E esse luto não se refere apenas à perda de entes queridos, mas a toda e qualquer perda que possamos vivenciar na vida. De nada nos serve negar, fingir pra nós mesmos que não nos importa, dizer que superamos com facilidade. O que funciona de verdade é ter clareza do que o “objeto perdido” significava, lamentar a perda e resignificar a vida a partir da ausência do mesmo. Toda perda é como uma ferida, no início dói, sangra, com o passar do tempo cria “casquinha” e quando cura já não dói mais, mas a cicatriz fica lá pra nos lembrar da experiência vivida.

    Bjo grande.

    • Ju Lopes  30/03/2014 - 16h48

      Oi Cris!
      rsrsr Já pensei em fazer psicologia, sabia?
      É exatamente isso… Não sabia disso de elaboração do luto não, mas isso deveria ser óbvio, né Cris? O problema é que ninguém mais quer sofrer o que tem que sofrer, ninguém quer sentir nada que não seja maravilhoso, e isso não existe… Beijos

  6. Lusaches  30/03/2014 - 23h07

    Ju Lopes:

    Sigo tentando. Fiz terapia muito tempo, mas viver a perda é difícil. Como disse a sociedade não da tempo nem pra vivermos nossos problemas. É retorno rápido ao trabalho e n coisas a fazer.

    Ainda acho um grande desafio viver o luto. Sei que esta fase precisa ser vivida. E espero conseguir vencer este desafio.

    Indico um livro maravilhoso: Perdas Necessárias Judith Viorst autora ou Psiquiatra ou Psicóloga. ( nao me lembro) É um livro muito interessante que fala das primeiras até as ultimas perdas existentes na nossa vida, em diferentes fases.

    Beijos Ju sempre te acomoanhando no blog! Sucesso sempre!

    • Ju Lopes  31/03/2014 - 18h48

      Oi Lu!
      Eu imagino que seja MUITO difícil mesmo… É uma dor que não passa, que engasga…
      Vou procurar esse livro!
      Obrigada minha flor, e muita força pra vc!
      Beijos

  7. Lusaches  31/03/2014 - 21h29

    Vamos que vamos. DEUS nos capacite pra enfrentarmos os desafios desta vida.

    Sucesso sempre Ju!

  8. Patricia  30/06/2015 - 22h24

    Ju você está melhorando? Sinto muitíssimo pela sua perda, te acompanho a anos e senti pela sua dor!!
    Estou mandando muitas energias positivas, você é maravilhosa!! ❤️❤️

  9. Mariana Barros  01/07/2015 - 00h38

    Ju, o seu texto diz tudo. E é isso mesmo! Sinta tudo o que tem de sentir, permita-se. E Ha! Sabe abraço de urso??? Mando um pra ti agora! Muita Luz e que Deus esteja te amparando agora. Mari

  10. Lúcia Matos  01/07/2015 - 00h49

    Ju, minha linda!
    Que texto perfeito!
    Lindo mesmo!
    É exatamente esse o meu pensamento também.
    Cada ciclo precisa ser vivido completamente. Não tem como ficar pulando etapas. Não é assim que a vida funciona. E não tem como seguir a vida se ela estiver “picotada”…
    Viva esse momento como ele deve ser vivido!
    E, enquanto isso, a gente segue aqui mandando pra você todo o nosso carinho e desejando muita paz e luz!
    Beijos, com carinho, da Lu ♥

  11. Ingrid Beneri  01/07/2015 - 04h27

    Meus sentimentos.. Agora te admiro mais ainda.Bjs no coração!

  12. Mary Mendonça  01/07/2015 - 09h50

    Parabéns pelo texto, e pela força Ju, que Jesus te dê o consolo!!!!!!! beijos

  13. Jô  01/07/2015 - 18h51

    Ju,
    Acompanho seu blog há muito tempo e no dia 29.05.2015 também perdi meu pai. De lá pra cá essa dor vem me consumindo a cada segundo, parece que tudo está perdido. Tento ler, pensar em outras coisas, prosseguir com a rotina e o trabalho, mas como você disse no final do dia, no nosso travesseiro é a tristeza que está lá para nos abraçar. Quero te dizer o quanto é importante ter a oportunidade de ler um post desse, e que você não está sozinha nessa tristeza.
    Perdi minha mãe quando ia completar 13 anos, e sou filha única, mas sempre ouvi falar que ninguém morre enquanto está vivo no coração de alguém.
    Acredito que tudo seja uma passagem para um processo evolutivo, e um dia estaremos novamente sorrindo ao lado dos nossos amados.
    Mais uma vez obrigada. Se estivesse vivo, tenho certeza que meu pai diria: “Seja forte e enfrente”.

  14. Carla  01/07/2015 - 20h21

    “Ju”, te sigo quase diariamente há alguns meses. Gostei tanto, q sem querer, estou esquecendo d outras blogueiras. Vc está suprindo minhas necessidades no q diz respeito às madeixas loiras.Amo seu sotaque ( é carinhoso, meigo e firme). Sou do Norte d Minas Gerais, entao meu sotaque é um pouquinho parecido c o do baiano. Admirei sua autenticidade , ao dizer q é advogada sem um pingo d vocação . Sou advogada, mas diferente d vc, gosto muito apesar d ver tanta coisa injusta . Do mais íntimo do meu coração , desejo q nosso Senhor Jesus Cristo, o d a força q só existe Nele.Atravessar o ” vale” c Ele , tudo será diferente e embora n entendamos esse mistério da morte , creia q o espírito do seu pai vive. Um dia( breve ou n). , estarão juntos por toda eternidade. A Bíblia relata essa ” morada”, como algo lindo demais.As ruas s d ouro … Pelo ser humano q é, c certeza vc deve muito a seu pai. Só pessoas boas, conseguem dar uma criação boa, ao ponto q mesmo através dessa máquina fria conseguimos enxergar um pouco d sua alma .

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