22.03.2019

Com Qual Intensidade Você Escolheu Viver?

Perguntinha indigesta pra uma sexta-feira, hein? Mas sempre é hora de avaliar como e com qual intensidade estamos vivendo...

Andei pensando sobre isso depois de ler várias mensagens de vocês lá no Instagram. A maioria é de leitoras antigas, que me conhecem bem, e absolutamente todas falam de como eu mudei ao longo dos anos e da forma como escolhi viver nos últimos meses.

Logo eu, que detesto rótulos, achei que receberia comentários falando que tinha me tornado uma, sei lá, vó das fulô natureba chata. rs

Mas isso não aconteceu, e talvez seja porque tudo o que tenho vivido muito mais intensamente hoje são coisas que sempre abordei por aqui, e que quem me acompanha, sobretudo no Instagram, sempre viu na minha rotina.

com qual intensidade você escolheu viver

Eu gosto de tranquilidade, de natureza, sou louca por bichos e plantas, óleos essenciais, florais, terapias naturais e, sobretudo, simplicidade e leveza.

E o movimento que vejo e sinto é de apoio e, ao mesmo tempo, de olhar, se inspirar e tentar levar algumas dessas coisas pra própria vida.

E, Deus, nunca me senti tão viva. Nunca estive tão próxima de mim como agora, a cada dia sinto mais profundidade de alma e um viver, do meu jeito, tão intenso.

E viver intensamente não tem nada a ver com viver agitadamente. Na verdade pode ser o oposto disso. Ou não.

Eu escolhi me conhecer um pouco mais todos os dias. Escutar meu corpo, minha alma, meu coração. Seguir os meus instintos e desejos, mesmo que eles pareçam absurdos pra maioria.

Escolhi não me deixar dominar por “ninharias de grande importância. Respirar fundo, estar presente em todas as coisas. Nas menores coisas. E vivê-las de verdade, não só apreciando, mas me lambuzando com tudo isso.

Sentindo prazer em cuidar das minhas plantas, dos meus tantos bichinhos (11 gatos, 2 cachorros e 2 jabutis, por enquanto… rs). Em cuidar de mim.

Trabalhar de frente pro verde, em silêncio, com dezenas de passarinhos cantando (inclusive o chantagista terrorista do bem-te-vi!).

com qual intensidade você escolheu viver

Deixar as portas abertas sem medo, sentir o cheiro da terra, do mato, ouvir o barulhinho da água correndo, sentar na grama, ter árvores e flores de todos os tipos, andar de pés descalços, fazer fogueira no quintal (amo!).

Chupar jabuticaba do pé. Seriguela, romã, manga, pitanga, acerola e laranja também. Ver Ozzynho abraçado no pé de jabuticaba, comendo todas que encontra pelo frente (como eu sonhei com isso hahaha); Matilda pulando na água, rolando na grama, correndo pra cima e pra baixo toda suja de lama.

Bob dançando com a água que molha as plantas, meus gatos espalhados, relaxados, por todos os cantos do jardim.

Acolher meus amigos, as pessoas que amo, e realmente enxergar, ouvir e sentir cada uma delas. Sem celular, sem TV, sem distração…

Escolhi não perder horas de vida todos os dias no trânsito ou em filas quilométricas. Não ser dependente de entretenimento, nem viver correndo pra dar conta de tudo o tempo todo, viver pra pagar boletos e não ter tempo.

Tempo pra me conhecer. Tempo pra sentir. Tempo pra viver.

Ao escolher tudo isso, porque já estava no limite do limite, precisei abrir mão de uma infinidade de coisas que também são importantes pra mim.

Contudo, cada escolha nessa vida é, também, uma renúncia. E nesse momento minha qualidade de vida é mais importante que coisas como um aeroporto perto, o que facilitaria demais meu trabalho, opções gastronômicas e de lazer, livrarias incríveis, lojas de todos os tipos (pro meu trabalho é essencial), uma variedade maior de médicos e por aí vai.

com qual intensidade você escolheu viver

Claro que o fato de trabalhar de casa facilitou a minha escolha, mas pra chegar até aqui abri mão, quase 10 anos atrás, sem ter muita noção do que estava fazendo, de absolutamente tudo pra recomeçar do zero.

E foi extremamente difícil em milhares de aspectos. Desesperador em tantos outros. Só que a vida é isso aí, e o que a gente pode fazer é pegar o que tem em mãos e fazer o melhor.

Pode ser que algum dia eu acorde pela manhã e queira tudo diferente, e aí a gente muda o que for preciso e recomeça novamente.

Mas, nesse momento, essa é a vida que faz sentido pra mim, e cada segundo dela tem toda a intensidade que sou capaz.

E não importa qual a vida que você escolheu viver, mas sim como e com qual intensidade você está vivendo… Já pensou nisso?

Beijos, Ju♥

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06.02.2019

Permita-se! Já Tentou?

Lembro que no final de 2017 escrevi na minha agenda 3 “direcionamentos” pra 2018: permita-se, arrisque-se e confie.

O problema é que eu, metódica toda, levo a sério meus direcionamentos. E esses três, de uma só vez, pra uma pessoa extremamente controladora, parecia piada.

Na minha cabeça existia um roteiro da vida que eu queria pra mim, e acho que é uma coisa boa, porque foi assim que consegui traçar os caminhos que precisariam ser percorridos para realizar meus sonhos e alcançar meus objetivos.

Há tempos tenho muito claro o que quero, como quero, quem quero por perto, o que e quem deve ou não participar da minha vida e por aí vai.

permita se

Então, essa história de arriscar, confiar e permitir era, pra mim, um desafio imenso, e achei, de verdade, que a coisa não daria muito certo.

Acontece que, de alguma forma que não tenho como explicar, no momento em que confiei, cambaleante, e comecei a fazer, muitas coisas começaram a acontecer, e não deu tempo de me arriscar ou permitir, a vida simplesmente me colocou, dia após dia, em situações em que isso nem era mais uma escolha, sabe como é?

Era arriscar ou arriscar. Permitir ou permitir. E tudo muito rápido, de uma só vez.

E de repente todo o controle que eu, arrogantemente, achava que tinha sobre todas as coisas foi por água abaixo. Me vi sem minha barra de segurança, mas um outro mundo se abriu em minha direção.

Na imensa maioria das situações não fazia ideia do que fazer, só dizia sim pra mim, pra me arriscar, me permitir. E nisso, óbvio, errei muitas vezes, me senti desconfortável tantas outras, perdi a razão, não medi as consequências, meti o pé pelas mãos.

E aprendi. Meu Deus, como aprendi. Mas também acertei. Acertei demais… Comigo, com a vida, com a minha vida.

Em muitos desses momentos, com a vida me virando de cabeça pra baixo em tantos aspectos, senti um medo profundo, mas ao invés de bater de frente e “cair pra cima”, comecei a fluir com o medo, com o pavor, enfrentando se brigar, me debater ou me desesperar, e atravessei o ano com uma certeza: nada, absolutamente nada em mim foi covarde.

Isso me transformou de tantas formas que até hoje não consigo mensurar. Nunca me senti tão forte como nesse momento. Forte o suficiente pra conseguir enxergar centenas de coisas que passaram uma vida aqui dentro, trancadas.

Forte pra aceitar que sim, vou me sentir vulnerável em muitos momentos, posso me debater, sem saber o que fazer, em outros, e tá tudo bem, porque a vida é isso mesmo. A gente muda, as certezas mudam e, num piscar de olhos, o que era já não é mais, e a gente tem que começar tudo de novo.

Tô sentindo coisas que nunca senti. Vivendo o que nunca vivi. Olhando pro meu caos interno com mais gentileza e, porque não, “diversão” e leveza, muita leveza…

permita se

Tá tudo bem não ter tantas certezas ou, como achava ser possível, a rédea do mundo nas mãos. Tá tudo bem estar em transição. Ou, como não me deixa esquecer uma das últimas coisas que marquei no corpo, estar “atravessando”.

Afinal, estamos aqui, também, pra isso, não?

Pra ver outros posts do mulher de 30 é só clicar aqui, e um que indico demais é o “Você Se Permite Merecer?”, clica pra ler!

Beijos, Ju♥

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29.08.2018

Você se Permite Merecer?

Dentre tantas outras coisas, escrever, pra mim, é também uma catarse. É como coloco pra fora, me analiso, procuro entender a mim e ao mundo. E hoje, depois de me olhar no espelho e soltar um “ei, Julliana, você se permite merecer?”, sentei pra escrever esse post pra tentar encontrar a resposta.

Cheguei nesse questionamento assustada, porque enxerguei ali medo e culpa. Medo por estar a um passo de realizar um sonho, e culpa por conseguir realizar esse sonho.

Deveria ser maravilhoso, é pra ser maravilhoso. Porque bodega, então, eu tô tão apavorada?

Onde foi parar a Julliana que trabalha arduamente para fazer as coisas acontecerem, enquanto repete como mantra uma dessas frases de Instagram que diz “quero dormir todas as noites na certeza de que nada em mim foi covarde“, hein?

se permite merecer

Tava ali paralisada. Tá aqui agora com as mãos no teclado, olhando pra tela com o coração acelerado.

Tem o medo da mudança? Claro que sim. Só que esse não é um medo que me paralisa mais. Mesmo me tremendo toda, eu encaro de frente e faço o que precisa ser feito.

Não é ele que me engole.

A questão é outra… E me lembra muito o desconforto que senti durante a maior parte da vida quando era elogiada.

É como se eu não merecesse. Como se fosse errado merecer.

E aí me dou conta de como é difícil aceitar as minhas realizações e, pior, acreditar que mereço cada uma delas, porque nada foi sorte ou acaso. Foi muito trabalho, e trabalho duro. Foi empenho, esforço,  comprometimento, persistência, paciência, confiança e uma fé absurda que me fez levantar dezenas de vezes, continuar e correr atrás depois de cada queda.

E mesmo tendo consciência de tudo isso, de que mereço sim, e mereço muito, me sinto culpada. E isso é muito cultural.

Não sei de onde vem ou quando começou essa coisa toda, mas o fato é que, inconscientemente, tentamos não chamar atenção, não fazer barulho e não ocupar muito espaço para que o outro não se sinta desconfortável. E, assim, a culpa por causar esse desconforto não venha.

Tentamos nos mostrar “menores” para que os outros se sintam melhores. Para, assim, evitarmos ser chamadas de  arrogantes, esnobes, petulantes.

Percebe a loucura que é isso? Percebe o tamanho do problema? Porque se não conseguimos sequer aceitar elogios sem abaixar a cabeça, como iremos acreditar que merecemos tudo aquilo pelo qual lutamos?

Muitas de nós sequer entende que está tudo bem querer mais, que não é errado não se conformar com pouco, com menos do que a gente quer ou sonha.

Que sermos honestas com nós mesmas, pensarmos mais em nós, fazermos mais por nós  e acreditarmos que merecemos sim, e merecemos o melhor, é o óbvio, o natural. Não tem crime nenhum, tá?

Você não tem culpa de merecer tantas coisas incríveis. Você tem é mérito. E você não só deve se permitir merecer, mas se dar o que merece. Você “fez por onde”, é seu por direito!

Vou ali seguir meus conselhos… Já conto tudo pra vocês!

Beijos, Ju♥

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