06.02.2019

Permita-se! Já Tentou?

Lembro que no final de 2017 escrevi na minha agenda 3 “direcionamentos” pra 2018: permita-se, arrisque-se e confie.

O problema é que eu, metódica toda, levo a sério meus direcionamentos. E esses três, de uma só vez, pra uma pessoa extremamente controladora, parecia piada.

Na minha cabeça existia um roteiro da vida que eu queria pra mim, e acho que é uma coisa boa, porque foi assim que consegui traçar os caminhos que precisariam ser percorridos para realizar meus sonhos e alcançar meus objetivos.

Há tempos tenho muito claro o que quero, como quero, quem quero por perto, o que e quem deve ou não participar da minha vida e por aí vai.

permita se

Então, essa história de arriscar, confiar e permitir era, pra mim, um desafio imenso, e achei, de verdade, que a coisa não daria muito certo.

Acontece que, de alguma forma que não tenho como explicar, no momento em que confiei, cambaleante, e comecei a fazer, muitas coisas começaram a acontecer, e não deu tempo de me arriscar ou permitir, a vida simplesmente me colocou, dia após dia, em situações em que isso nem era mais uma escolha, sabe como é?

Era arriscar ou arriscar. Permitir ou permitir. E tudo muito rápido, de uma só vez.

E de repente todo o controle que eu, arrogantemente, achava que tinha sobre todas as coisas foi por água abaixo. Me vi sem minha barra de segurança, mas um outro mundo se abriu em minha direção.

Na imensa maioria das situações não fazia ideia do que fazer, só dizia sim pra mim, pra me arriscar, me permitir. E nisso, óbvio, errei muitas vezes, me senti desconfortável tantas outras, perdi a razão, não medi as consequências, meti o pé pelas mãos.

E aprendi. Meu Deus, como aprendi. Mas também acertei. Acertei demais… Comigo, com a vida, com a minha vida.

Em muitos desses momentos, com a vida me virando de cabeça pra baixo em tantos aspectos, senti um medo profundo, mas ao invés de bater de frente e “cair pra cima”, comecei a fluir com o medo, com o pavor, enfrentando se brigar, me debater ou me desesperar, e atravessei o ano com uma certeza: nada, absolutamente nada em mim foi covarde.

Isso me transformou de tantas formas que até hoje não consigo mensurar. Nunca me senti tão forte como nesse momento. Forte o suficiente pra conseguir enxergar centenas de coisas que passaram uma vida aqui dentro, trancadas.

Forte pra aceitar que sim, vou me sentir vulnerável em muitos momentos, posso me debater, sem saber o que fazer, em outros, e tá tudo bem, porque a vida é isso mesmo. A gente muda, as certezas mudam e, num piscar de olhos, o que era já não é mais, e a gente tem que começar tudo de novo.

Tô sentindo coisas que nunca senti. Vivendo o que nunca vivi. Olhando pro meu caos interno com mais gentileza e, porque não, “diversão” e leveza, muita leveza…

permita se

Tá tudo bem não ter tantas certezas ou, como achava ser possível, a rédea do mundo nas mãos. Tá tudo bem estar em transição. Ou, como não me deixa esquecer uma das últimas coisas que marquei no corpo, estar “atravessando”.

Afinal, estamos aqui, também, pra isso, não?

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Beijos, Ju♥

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29.08.2018

Você se Permite Merecer?

Dentre tantas outras coisas, escrever, pra mim, é também uma catarse. É como coloco pra fora, me analiso, procuro entender a mim e ao mundo. E hoje, depois de me olhar no espelho e soltar um “ei, Julliana, você se permite merecer?”, sentei pra escrever esse post pra tentar encontrar a resposta.

Cheguei nesse questionamento assustada, porque enxerguei ali medo e culpa. Medo por estar a um passo de realizar um sonho, e culpa por conseguir realizar esse sonho.

Deveria ser maravilhoso, é pra ser maravilhoso. Porque bodega, então, eu tô tão apavorada?

Onde foi parar a Julliana que trabalha arduamente para fazer as coisas acontecerem, enquanto repete como mantra uma dessas frases de Instagram que diz “quero dormir todas as noites na certeza de que nada em mim foi covarde“, hein?

se permite merecer

Tava ali paralisada. Tá aqui agora com as mãos no teclado, olhando pra tela com o coração acelerado.

Tem o medo da mudança? Claro que sim. Só que esse não é um medo que me paralisa mais. Mesmo me tremendo toda, eu encaro de frente e faço o que precisa ser feito.

Não é ele que me engole.

A questão é outra… E me lembra muito o desconforto que senti durante a maior parte da vida quando era elogiada.

É como se eu não merecesse. Como se fosse errado merecer.

E aí me dou conta de como é difícil aceitar as minhas realizações e, pior, acreditar que mereço cada uma delas, porque nada foi sorte ou acaso. Foi muito trabalho, e trabalho duro. Foi empenho, esforço,  comprometimento, persistência, paciência, confiança e uma fé absurda que me fez levantar dezenas de vezes, continuar e correr atrás depois de cada queda.

E mesmo tendo consciência de tudo isso, de que mereço sim, e mereço muito, me sinto culpada. E isso é muito cultural.

Não sei de onde vem ou quando começou essa coisa toda, mas o fato é que, inconscientemente, tentamos não chamar atenção, não fazer barulho e não ocupar muito espaço para que o outro não se sinta desconfortável. E, assim, a culpa por causar esse desconforto não venha.

Tentamos nos mostrar “menores” para que os outros se sintam melhores. Para, assim, evitarmos ser chamadas de  arrogantes, esnobes, petulantes.

Percebe a loucura que é isso? Percebe o tamanho do problema? Porque se não conseguimos sequer aceitar elogios sem abaixar a cabeça, como iremos acreditar que merecemos tudo aquilo pelo qual lutamos?

Muitas de nós sequer entende que está tudo bem querer mais, que não é errado não se conformar com pouco, com menos do que a gente quer ou sonha.

Que sermos honestas com nós mesmas, pensarmos mais em nós, fazermos mais por nós  e acreditarmos que merecemos sim, e merecemos o melhor, é o óbvio, o natural. Não tem crime nenhum, tá?

Você não tem culpa de merecer tantas coisas incríveis. Você tem é mérito. E você não só deve se permitir merecer, mas se dar o que merece. Você “fez por onde”, é seu por direito!

Vou ali seguir meus conselhos… Já conto tudo pra vocês!

Beijos, Ju♥

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20.08.2018

Sobre Amizades Abusivas: Cuidado!

Cada vez mais a gente fala sobre relacionamentos abusivos, mas o foco, quase sempre, são os amorosos, quando, na verdade, qualquer tipo de relação pode ser abusiva. Sim, existem familiares abusivos, colegas de trabalho abusivos e, também, amizades abusivas.

E é sobre amizades abusivas que quero falar hoje, já que, a essa altura do campeonato, não era algo que eu imaginasse que pudesse viver.

Vivi esse tipo de situação quando era mais nova, de maneira muito mais branda,  e mesmo assim demorei anos pra entender e me recuperar, porque, não se engane, quanto mais sutil é a coisa, mais demora pra que a gente caia na real. E maior é o estrago.

Eu conhecia exatamente os “sinais”.Tinha absoluta consciência da importância de escolher criteriosamente com quais pessoas dividir a minha vida, porque amigo, pra mim, é sagrado. Amigo é a família que realmente importa, é companheiro, parceiro de vida.

amizades abusivas juro valendo

E, ainda sim, de alguma forma que não consigo compreender, eu não vi, não percebi e sucumbi.

Porque a coisa é muito, mas muito sutil…

Sobre amizades abusivas

A pessoa parece realmente gostar e se preocupar com você. E por achar que é preocupação, que ela quer o seu melhor, você começa a absorver as “observações” feitas constantemente, sempre focadas no que “está faltando”, no que você “precisa melhorar”, porque nada é bom o bastante.

Você não é bom o bastante.

E não importa quantas coisas incríveis você faça, quantas pessoas reconheçam o seu valor, a sua capacidade ou qualquer outra coisa, ela sempre vai, sutilmente, minimizar, desmerecer,  desvalorizar.

E depois de um tempo, sobretudo quando trata-se de alguém que você admira, você começa a acreditar. Acredita que não está à altura, que não é bom o bastante, que não é capaz… E passa a se anular.

Quando chega nesse ponto, minha amiga, sua insegurança já está no topo, a autoestima no chão e você, cheia de dúvidas e medos, simplesmente para de acreditar em si mesma.

Mas não para por aí…

Sabe as suas conquistas? Parecem não existir. Sabe a tua vida, as tuas histórias? Ela não tem o menor interesse. Sabe as tuas dores, aquelas que te despedaçam? São invisíveis pra ela, que sempre está ali falando e descarregando em você todos os problemas do mundo.

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O que você faz? Escuta, pontua, apoia, porque amigo é, também, pra isso, né? E como acha que ela é sua amiga, e faz parte do pacote entender as limitações do outro, se engana dizendo que é falta de tempo, e se recusa a enxergar.

Porque enxergar significa assumir a responsabilidade por tudo isso, por ter permitido que isso acontecesse. Por ter sido fraco.

Eu já tinha entendido, meses atrás, o quanto aquela pessoa me fazia mal, o quanto aquilo era tóxico. A minha intuição, aliás, gritava enlouquecidamente, mas só consegui colocar um ponto final quando, já esgotada emocionalmente, ouvi mais uma vez as coisas de sempre e tive uma crise no meio da rua.

Sabe quando você não consegue respirar? Quando você chora de soluçar até, literalmente, cansar? Foi isso. E só aí consegui me afastar, sobretudo emocionalmente.

No entanto,  ainda questiono, como num post que escrevi aqui,  que droga de carência é essa que faz com que a gente finja não perceber determinadas coisas, sabe? O que é isso que faz com que a gente aceite menos, muito menos, do que dá? Que medo é esse que nos faz manter na vida, como protagonistas, aqueles que sequer deveriam estar por lá?

E me pergunto como, logo eu, tão firme pra tantas coisas, tão da turma do “comigo não”, que não aceito ter o espaço invadido, o tom de voz alterado, que não negocio respeito, me deixei levar…

Ainda não tenho a resposta, mas estou buscando-a, pra aprender de vez a lição.

E vocês, em algum nível, já passaram por isso? Se quiserem ler mais posts como esse é só clicar aqui e/ou participar do nosso grupo fechado lá no Facebook, o Mulher de 30.

Beijos, Ju♥

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