23.09.2017

#MulherDe30: Do Direito Para a Gastronomia

Vocês já viram que criamos um grupo fechado no Facebook e um Instagram (@mulherde30, segue lá!) para o Mulher de 30, né? Tem sido uma troca maravilhosa, e toda semana vou publicar um “depoimento” por aqui, começando com o de Isa, que “mudou” do Direito para a Gastronomia!

do direito para a gastronomia

Mudar as vezes, para não dizer sempre, causa receio, ansiedade e muitas dúvidas, não é mesmo?

Tenho 36 anos (não tenho problema em divulgar idade, até porque me sinto muito melhor hoje que aos 20!), fiz Letras, formei em Direito, fiz Pós Graduação em Ciências Criminais pela UFBA, e “militei” um certo tempo, como estagiária, num escritório criminal (sim, criminal… amo, obrigada!) que me fez amar mais e mais a advocacia.

Podem me julgar, mas “amo o crime”! Nunca gostei dos demais ramos do Direito. Sorry.

Aí comecei a vida de concursos públicos. Sempre quis PRF ou PF, ou seja, Polícia Rodoviária Federal ou Polícia Federal. Só que chegou um tempo em que as horas de estudos não me deixavam mais feliz como antes. Porque mesmo? Não sabia…

Aí vieram as dúvidas, muitas dúvidas…

Abriam concursos fora da Bahia, muitos. Eu estudava, mas sabia que não poderia sair de Salvador… Marido? Não! Mãe. Ser filho único tem dessas. Mainha é a prioridade de minha vida (e podem me julgar mais uma vez).

do direito para a gastronomia

Minha mãe ficou cega de um olho, se tornou diabética, e tive de readaptá-la ao mundo.

Não foi fácil, tá? Não mesmo…

Então comecei a pensar em coisas que pudessem servir de alimento para ela. Sem açúcar, sem gordura e sem sal. Comecei a mexer na internet a procura de referências, e devo confessar que, com 19 anos, não sabia nem fritar ovos.

Sempre tivemos pessoas para ajudar em casa e, por ser filha única, faziam tudo para mim, mesmo meus pais me mostrando a realidade da vida.

E eis que me deparo sozinha na capital (sou de Alagoinhas, no interior, e meu pai, Antônio, faleceu há muitos anos)… E aí?

Pensando em tudo isso, comecei a raciocinar sobre comida. E porque não cozinheiro? Mas não pude, por questões financeiras… Porque não Gastronomia? Sim!

“Vai pagar pra te ensinarem a cozinhar?”. Sim! Isso implica em muita coisa, tá?

do direito para a gastronomia

Vejam lá o post sobre cozinha de verdade… Além disso, existe muito sobre forma correta de cortar as coisas, de coccionar (cozinhar, porque sou phyna)… Você nota mudança até no gás. Sim! Isso mesmo que você leu. Quando se corta de forma correta e se cozinha, ou frita, ou escalfa, por exemplo, o consumo de gás e tempo é incrivelmente melhorado.

Existiram julgamentos? Sim. Questionamentos? Muitos. Dúvidas? Também. Mas, faz parte.

O que posso dizer é que estou muito mais feliz hoje do que era antes, e isso não tem preço.

E se posso dar uma dica, é essa: mesmo com medo, mudem, se permitam mudar. Mudar por dentro, mudar por fora, mudar a vida, mudar de vida.

Comecem as mudanças dentro de vocês. De dentro para fora. Essas são as melhores, as mais profundas.

Quanto a mim, estou me realizando. Feliz e perto de minha mãe.

A Isa me enche de orgulho, sempre, e espero que a história dela possa, de alguma forma, inspirar vocês!

P.s: estou fora de casa, mas o áudio do post já sobe.

Beijos, Ju♥

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19.09.2017

#MulherDe30: Velha Pra Ser Bonita

Cê jura?

Mês passado completei 35 anos e, sendo bem honesta, envelhecer tem me feito muito bem, sobretudo porque perdi o medo dessa palavra e de tudo o que ela representa.

Porque sim, apesar dos milhares de apelos pela juventude eterna, eu, você e todo mundo estamos envelhecendo, e não tem nada de trágico ou errado nisso.

Errada é a forma como fomos (e somos!) ensinadas a falar, pensar e sentir o passar dos anos, como se fosse algo vergonhoso, que devesse ser combatido a qualquer custo.  Como se o passar dos anos determinasse, em relação a beleza, o nosso “prazo de validade”.

Não deveria, mas beleza costuma ter idade. Chega uma hora que você é vista como “velha demais” pra ser bonita (e pra dezenas de outras coisas), e isso a gente vê de forma clara ou velada nas campanhas publicitárias, nas capas de revista, nas novelas, nos filmes, em todos os lugares, todos os dias.

Fala-se muito em democratização da beleza, que é uma coisa maravilhosa, mas não se enganem, ela também tem idade. Hoje, ao contrário de anos atrás, já olhamos para mulheres que não estão dentro do padrão de beleza estabelecido e reconhecemos a beleza ali.

velha

Claro que ainda temos muito chão pela frente, mas, em regra, não é mais a preta, a gorda, a magra, a “japa”, a cacheada ou a crespa bonita. É uma mulher bonita, ponto.

Mas, o mesmo não acontece com mulheres mais velhas, e olha que esse “mais velha” é, pra mim, bem jovem, viu? Se perto dos 30 o “desespero” bate a porta, porque passamos a vida acreditando que essa era a porta do envelhecimento, essa coisa horrorosa (contém ironia…), com 35, 40 já passamos do ponto e daí pra frente é “ladeira abaixo”:  podemos ser muita coisa, exceto bonitas.

Podemos ser saradas, “enxutas”, gostosas, charmosas, interessantes, jovens pra nossa idade (adoro essa! rs), maravilhosas, incríveis e trocentas coisas mais, exceto bonitas.  E quando, por puro acaso,  o termo “bonita” é utilizado, não vem acompanhado de “mulher”… É uma senhora bonita, uma coroa bonita, uma mãe bonita, mas não  uma mulher bonita.

Existem exceções? Sim, pra confirmar a regra.

Já perceberam isso? Eu já, e isso é uma loucura, gente…

Só que é uma loucura que rende, porque cria uma não aceitação tão grande que faz com que, sem perceber, a gente perca a perspectiva do que somos e do que devemos ser. E isso gera uma busca desenfreada por uma “juventude”  irreal e inalcançável, e aí a pessoa paga o que pode e o que não pode pra se encaixar, pra se adequar, pra continuar sendo vista como uma mulher bonita.

Sabe o resultado disso? Uma insatisfação enorme e uma autoestima que despenca dia após dia, porque não importa o que a gente faça, o tempo vai continuar passando e vamos continuar envelhecendo. Cada vez mais infelizes, claro.

Isso não significa, óbvio, que é errado se cuidar da forma que você bem entender. Não é errado e não tem nada demais fazer botox, preenchimento, plástica ou qualquer outra coisa, desde que isso te faça bem.

O que não dá é pra condicionar a sua beleza a uma idade, muito menos a uma idade que você não tem. Pra mim não faz o menor sentido ter 35 e fazer qualquer coisa pra ter uma carinha de 20, como se a minha beleza estivesse condicionada a “carinha de 20”, porque, sinto informar, ela não está.

O problema, claro, não é a “carinha de 20”. O problema é achar que só posso ser bonita se tiver a carinha de 20.

Eu quero ser uma mulher de 35 anos como uma linda mulher de 35 anos, nem mais, nem menos. Quero continuar envelhecendo com serenidade, usando o passar dos anos e tudo o que ele trouxer como aliado, não como um inimigo a ser combatido a qualquer custo.

Quero me olhar no espelho sem vergonha, sem esconder minhas marcas ou meus supostos defeitos nem me desculpar por eles. Quero continuar enxergando a minha beleza em cada idade. Beleza que o tempo, ao deixar tantas marcas diferentes, não diminui, só aumenta. Beleza de quem não só se sente, mas “se sabe” bonita.

Quero me reconhecer sem filtros, me cuidar para me sentir cada vez melhor, porque isso também me faz feliz.

Mas, não vou entrar no surto de querer parecer o que não sou, enquanto deixo escapar toda a beleza de quem, hoje, eu sou. E se posso te dar um conselho, não queira isso também.

[Ah, e se quiser participar do nosso Mulher de 30, um grupo fechado lá no Facebook, é só clicar aqui. ]

P.s: Já subo o áudio!

Beijos, Ju♥

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16.09.2017

Sobre Como O Julgamento Alheio Impacta Nossas Vidas

Quando comecei a escrever esse post ontem, ele começava de maneira diferente, mas fui desabando frase por frase e não consegui continuar.

Dias atrás criei um grupo fechado no Facebook chamado “Mulher de 30”, um lugar pra gente dividir muito mais que dicas de beleza. Um lugar pra dividir a vida mesmo, sabe? As dúvidas, as dores, as angústias, os medos, as alegrias, as descobertas e tudo aquilo que a gente vive e abafa, e “esquece”.

Um lugar pra compartilhar quem e o que somos e vivemos, onde a única regra é compreender com amor e não julgar.

E aí perguntei por lá o que vinha causando angústia, tristeza e ansiedade, dividi um pouco do que estava sentindo, vocês fizeram o mesmo e sentei pra escrever esse post.

Fui relendo cada comentário, me reconhecendo em muitos, imaginando e sentindo, aqui na alma, toda a pressão, o julgamento e as milhões de cobranças que cada uma de vocês relatou e desabei.

Não consegui terminar o post, não consegui fazer mais nada o dia todo, só chorei. E chorei muito. Por vocês, por mim e pelo tanto de estrago que tudo isso causa, sabe?

julgamento alheio

Saí de casa no final da tarde, fui na livraria, um lugar que sempre me acalma, onde me sinto acolhida e em paz, escolhi alguns livros, cheirei tantos outros (amo cheiro de livro! rs), dei a sorte de encontrar Mulheres Que Correm Com Os Lobos, um livro que amo e já indiquei aqui, mas tinha emprestado e acabei ficando sem.

Voltei pra casa, li um pouco e dormi cedo, coisa que raramente faço. Acordei bem melhor e sentei pra recomeçar esse post porque preciso que vocês saibam que não estão sozinhas.

Todas nós, em maior ou menor grau, passamos por isso, infelizmente. E por trás de cada foto incrível postada numa rede social existe uma pessoa real, com suas dores, crises, alegrias, tristezas e muito mais do que a gente pode imaginar.

E existe também a pressão pela vida ideal, com a carreira ideal, o relacionamento ideal, a segurança emocional e financeira ideal, a aparência ideal e todos os outros “ideais” pelos quais somos, de forma clara ou velada, cobrados e julgados todos os dias.

Porque não importa a escolha que você faça, você sempre será julgada. Não importa se você está bem,  feliz, com tudo dando certo.

O que importa é se você está seguindo o script, se você está dentro do que idealizaram pra você. Porque se você não está, se não faz o que é esperado, continuam te julgando e cobrando do mesmo jeito.

E é triste constatar que, como a disse a Mara lá no grupo,“a impressão que dá é que tu és uma pessoa de segunda classe, só por não fazer o que os outros querem que tu faças”.

julgamento alheio

É pesado, mas é real.  E quanto mais o tempo passa, quanto viramos a esquina dos anos, maiores são as pressões e os julgamentos, e sobre isso todo mundo comentou no grupo.

Se você está na profissão “certa”, te cobram porque você ainda não ganha o que deveria. Se escolhe ter filhos, te julgam porque vai “comprometer” seu sucesso profissional. Se resolve se dedicar aos filhos e não trabalhar fora de casa, te olham torto, mas se volta ao trabalho questionam que tipo de mãe você é.

Se escolhe não ter, te julgam do mesmo jeito. E a mesma coisa acontece com toda e qualquer escolha que você faça na sua vida, porque cada um tem a fôrma ideal do que você deveria ser.

E isso pesa, gente. Pesa porque a vida tá aí, passando rápido, e a gente fica tentando se descobrir, se enxergar, se encontrar, fazer e acontecer enquanto é bombardeado por cobranças e julgamentos de todos os lados.

Pesa porque ficar imune a isso não é tão simples como eu gostaria, afinal, nos vemos, também, pelo olhar do outro.

E por isso acho tão importante ter por perto pessoas que nos apoiem, que nos enxergue com olhos de amor, respeito e compreensão. É vital, também, que enxerguemos o outro da mesma forma, sempre.

Não faço ideia de como mudar isso, porque a gente não tem poder sobre o outro, mas temos sobre nós mesmas. Você não pode mudar o que o outro faz, pensa e diz, mas pode mudar, pouco a pouco, a forma como você reage a isso.

Não é fácil, e demorei muito tempo pra entender que, por fazer escolhas diferentes, não era inadequada, errada ou ruim. Estava apenas exercendo o direito de ser quem eu sou. De fazer minhas próprias escolhas, e arcar com as consequências dela. De construir a minha vida da melhor forma que posso, com o que tenho em mãos.

Aprendi, a duras penas, que ceder as expectativas alheias destruiria o que eu sou, e que vale muito mais manter meu ser inteiro, íntegro, que me isolar de mim mesma pra caber na caixinha do outro.

Ainda me incomodo com tudo isso, mas a cada dia o peso dos dedos apontados e dos julgamentos berrados silenciosamente têm me afetado menos.

Espero que algum dia eles não afetem mais, nem a mim nem a vocês.

* Pra conferir esse conteúdo em áudio é só clicar aqui.

Beijos, Ju♥

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